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5 lições que eu aprendi com a filosofia Estoica

Otavio Albano

A imagem acima, a escultura ‘O Pensador’ de Auguste Rodin, é geralmente a ideia que se tem de um filósofo. E era assim que eu pensava até pouco tempo atrás, quando comecei a estudar filosofia.

Na verdade, há uma corrente filosófica, o Estoicismo, que é a antítese da imagem acima. Os Estoicos eram comerciantes, senadores, soldados. Ou seja, gente como você e eu.

Por milhares de anos, o Estoicismo tem sido uma ferramenta para manter a paz e a clareza de espírito e buscar sabedoria, força e uma “boa vida”. Ao contrário de outras correntes de pensamento, foi desenhado para a ação e não para a pura reflexão.

Por isso, foi muito popular entre pessoas completamente distintas, tais como o imperador Marco Aurélio, Sêneca (um dos homens mais ricos de Roma), Theodore Roosevelt (ex-presidente dos EUA), Frederico, o Grande (rei da Prússia) e Michel de Montaigne (filósofo renascentista francês). Mesmo hoje, a comunidade Estoica cresce de forma exponencial, especialmente nos EUA e Europa.

Mas o que os Estoicos me ensinaram, afinal? Com exercícios simples, é possível usar a filosofia Estoica para “navegar” melhor na nossa sociedade e lidar de forma prática com problemas e pessoas diferentes.

Separei 5 lições práticas e simples para exemplificar como o Estoicismo tem me ajudado:

1. Não torne nada mais difícil do que é

“Se alguém lhe pede para soletrar seu nome, você grita cada letra? E se a pessoa fica brava, você retorna a raiva? Não é melhor dizer cada letra de forma clara e gentil? Então lembre-se que na vida suas responsabilidades são a soma de atos individuais. Preste atenção a cada um deles e apenas complete suas tarefas.”

— Marco Aurélio (Meditações, 6.26)

Esse é um cenário comum. Você trabalha com alguém frustrante ou difícil. Essa pessoa lhe pede para fazer algo e, simplesmente porque você não gosta dela, você coloca objeções e se recusa a fazê-lo. A reação dela? Não fazer algo que você havia lhe pedido anteriormente.

Se, por um momento, você para e reflete sobre o pedido do seu colega, provavelmente verá que não há nada demais em fazer a tarefa. Pode até chegar à conclusão que é algo simples e fácil de fazer. O simples ato de parar para pensar torna o “problema” bem menor do que é.

A vida já é suficientemente difícil. Não a torne ainda pior fazendo de cada ato uma batalha emocional. Saiba separar suas emoções de suas atitudes.

2. Não seja escravo dos seus sentimentos

“Deixe de ser um marionete de cada impulso que tem e você cessará de reclamar do seu presente ou temer seu futuro.”

— Marco Aurélio (Meditações, 2.2)

Todos temos orgulho de ser pessoas independentes e autossuficientes. Pelo menos é o que pensamos.

Mas se alguém nos diz algo com que discordamos, algo dentro de nós nos impele a discutir, a exaltar-nos. Se alguém nos oferece um chocolate que adoramos, nós não conseguimos recusar. Se alguém faz algo que odiamos, ficamos irritados instantaneamente. Se algo ruim acontece conosco, nos deprimimos. Se algo bom acontece minutos depois, ficamos extáticos.

Será que somos realmente independentes se tantos fatores externos nos controlam? Como seres racionais, devemos começar a exercitar a nossa racionalidade: a emoção não pode tomar conta de nossas reações e atitudes.

3. Não complique

“A todo momento, mantenha sua mente focada na tarefa à sua frente, executando-a com dignidade, afeição, liberdade e justiça — isentando-se de outras considerações. Você pode fazê-lo se abordar cada tarefa sem distrações, drama, vaidade e reclamações. Você verá que agir assim lhe possibilitará viver uma vida abundante e plena.”

— Marco Aurélio (Meditações, 2.5)

Temos a tendência a sofrer por antecipação a cada tarefa que temos que fazer, tornando quase tudo um problema.

Os Estoicos nos ensinam a focar apenas no que está na nossa frente. Não temos a necessidade de nos perder em elucubrações, suposições ou no que os outros vão pensar. Há algo a fazer? Como diz o slogan da Nike: “Just do it!”. A energia dispendida será muito menor.

4. Pare de agir ‘por força do hábito’

“Na maioria das vezes, não tratamos determinadas situações da forma correta mas apenas seguindo os nossos velhos hábitos. Devemos parar de buscar prazeres e evitar dores a qualquer custo.”

— Caio Musônio Rufo (Leituras, 6.25.5–11)

Você já parou para pensar no porquê age da forma como age? Provavelmente, não. A beleza do Estoicismo está justamente no pensar antes de agir.

A filosofia só encontra praticidade ao quebrarmos nossos hábitos e atitudes cotidianas. Pare um instante para observar tudo aquilo que você faz “no automático”. Será que há vantagens ou desvantagens de fazer dessa forma? Ou você apenas está seguindo o que seus pais faziam? Ou o que amigos ou colegas de trabalho lhe disseram ser melhor?

Saiba os porquês de suas atitudes — e comece a agir pelas razões corretas.

5. Proteja sua paz de espírito

“Mantenha guarda constante sobre suas percepções, pois você está protegendo seu respeito, confiança, equilíbrio, paz de espírito; em suma, sua liberdade. Que valor essas coisas têm para você?”

— Epiteto (Discursos, 4.3.6b–8)

O emprego que acaba com a sua saúde, um relacionamento que lhe faz mal, amizades que o deprimem, familiares que o diminuem. O Estoicismo nos ajuda a colocar tudo sob uma nova perspectiva, ao nos fazer refletir sobre nossa vida.

Por que você se sujeita a tais coisas? É esse o ambiente em que você quer viver? É essa a vida que você quer realmente para si? Todas as vezes que você se irrita, se deprime, se entristece, um pedaço da sua vida é retirado de você.

Sua vida é um presente inestimável. Pense em como você está vivendo e não tenha medo de fazer mudanças. Você merece! ;)

. . .

Publicado originalmente aqui por Otávio Albano, autor do livro Encontrando Você.

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