Estoicismo Prático

Uma Nova Tradução de Meditações, do Marco Aurélio

Uma tradução de Meditações que visa ser acessível — sem, é claro, adicionar interpretações ou alterar significados.

Meditações continua relevante mesmo após 1.800 anos por ser um livro único. Afinal, é o diário da pessoa mais poderosa de seu tempo. Poucas obras nos permitem mergulhar nas reflexões mais íntimas de um importante personagem histórico.

Mas, apesar da relevância e popularidade global de Meditações, o livro não é tão popular no Brasil. Uma das traduções para o português mais lidas tem cerca de 90 avaliações na Amazon. Enquanto isso, é possível encontrar mais de uma tradução em inglês com mais de 4.000 avaliações.

É evidente que vários fatores tornam Meditações mais popular no exterior, como a educação, os hábitos de leitura e tudo mais. Mas eu atribuiria como um dos principais fatores o fato de as traduções brasileiras não serem fáceis de ler.

A dificuldade de leitura não se dá por Meditações originalmente ter uma escrita rebuscada. Por um lado, alguns trechos são deveras difíceis de entender. Como Meditações era seu diário, a única pessoa que o compreende por completo é o próprio Marco Aurélio. Ele não escreveu pensando que outras pessoas iriam ler, portanto a escrita não é nada didática. Por outro lado, a escrita de Meditações não é rebuscada e não exige auxílio de um comentador. A dificuldade de compreensão de certas passagens é mais consequência da tradução do que do texto original em si.

Com os exemplos a seguir, fica explícito como a tradução pode facilitar a leitura e tornar o livro mais acessível sem alterar o significado:

Compare diferentes traduções de Meditações, do Marco Aurélio

A seguir coloquei três passagens de diferentes traduções lado a lado com os mesmos trechos traduzidos por mim (Mateus) e pelo Icaro Moro.

Nossa tradução ainda não está finalizada, portanto o texto talvez ainda seja alterado. De qualquer forma, a partir dos exemplos a seguir você terá uma noção de como será a versão final.
"Pois distanciar-se dos homens, se existem deuses, em absoluto é temível, porque estes não poderiam atirar-te ao mar. Mas, se em verdade não existem, ou não lhes importam os assuntos humanos, para que viver em um mundo vazio de deuses ou vazio de providência?"

"Se os deuses existem, abandonar os seres humanos não é assustador, pois eles não o fariam mal. Se não existem, ou não se importam com o que acontece conosco, qual seria o sentido de viver em um universo desprovido de deuses ou Providência?"

"Com efeito, aquilo que provém dos deuses é venerável em razão de sua excelência, enquanto o que provém dos seres humanos nos é caro porque provém de nossa mesma espécie; e mesmo quando, de algum modo, nos conduz à compaixão por causa da ignorância dos bens e dos males, falha que não é menor que aquela que subtrai nossa capacidade de distinguir as coisas brancas das pretas."

"Pois a obra dos deuses deve ser venerada por sua excelência. A obra dos homens merece carinho em razão de parentesco. Embora algumas vezes mereça piedade, em razão da ignorância dos homens sobre o bem e o mal—uma cegueira equivalente a não conseguir distinguir preto e branco."

"Um homem com esse perfil, que a partir de então não poupa nenhum esforço para se colocar entre os melhores, é um sacerdote e servidor dos deuses, igualmente devotado ao serviço daquele que edificou nele sua morada; graças a esse culto, essa pessoa se mantém não contaminada pelos prazeres, invulnerável a todo sofrimento, livre de todo excesso, indiferente a toda maldade;"

"Um homem de tal estirpe, que não poupa esforços para ser o melhor possível, é como um sacerdote ou um servo dos deuses. Obedece à deidade que o habita e que o impede de ser profanado por prazeres, lesado por dores, tocado por insultos e conivente com perversidades."

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Por que produzir uma nova tradução de Meditações, do Marco Aurélio?

Algumas pessoas podem preferir uma leitura mais rebuscada, que contenha sinônimos arcaicos e frases longas. Mas, com base na experiência que tenho no Estoicismo Prático, esse não é o caso da maioria.

Portanto, a acessibilidade de Meditações é diminuída devido à falta de traduções para português que tenham como objetivo tornar a leitura mais acessível. É por isso que eu decidi assumir a tarefa de traduzir o livro.

Quando se trata de obras clássicas como Meditações, acredito que quanto mais traduções existirem, melhor. Assim, cada um pode escolher a tradução que mais lhe agrada. É certo que abre-se margem para "traduções" que mais interpretam do que traduzem o texto original. De qualquer forma, esse é um problema inevitável. Cabe ao leitor selecionar a tradução mais próxima do original cuja leitura mais lhe agrade.

Imagine um cenário em que novas traduções de Meditações não fossem produzidas regularmente... o livro provavelmente cairia no esquecimento. Ou, ao menos, não se tornaria tão popular quanto pode ser. Mas Meditações é uma obra importante demais para ficar limitada a traduções do século passado.

Caso você queira ajudar a tornar essa tradução realidade, e ter acesso antecipado a ela, considere apoiar a campanha de financiamento coletivo no Catarse:

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