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Quem foi Marco Aurélio, o “Imperador Filósofo”

Estoicismo Prático
Marco Aurélio - reconstrução facial, utilizando inteligência artificial e photoshop. Créditos da imagem: @haroun_bin

Quem foi Marco Aurélio, o “Imperador Filósofo”

Marco Aurélio (121 - 180 d.C) - nasceu em 26 de Abril de 121, considerado o último dos cinco bons imperadores romanos. Em sua época, estima-se que 1 a cada 5 pessoas da terra viviam nos domínios de Roma, portanto ele era o homem mais poderoso de seu tempo.

Marco, não era o herdeiro direto e nunca desejou ser imperador. Considerava essa função como um fardo e preferia dedicar-se à filosofia, especialmente ao estoicismo, o qual estudava desde a sua infância.

Seu caráter excepcional e sua honestidade, foram reconhecidas pelo imperador Adriano e posteriormente pelo imperador Antonino Pio, que o adotou. Com a morte de seu pai adotivo, ele assumiu a posição de imperador, por acreditar ser seu destino fazê-lo e que poderia promover o bem às pessoas.

Teve uma vida conturbada com uma série de guerras, doenças, a morte prematura de vários de seus filhos e a peste Antonina, que devastou a população romana, matando cerca de 5 milhões de pessoas.

O livro Meditações

Apesar disso, continuou investindo em seus estudos em filosofia. Escreveu um diário com suas reflexões, que posteriormente foi publicado com o título de “Meditações” e que se tornou uma das principais obras estóicas.

Quando lemos “Meditações”, estamos lendo uma obra que não foi escrita para ser publicada e sim o diário pessoal e os pensamentos íntimos de um imperador, que enfrentava diversos infortúnios em sua vida.

Encontramos nesse livro a forja do caráter de um bom homem e a coragem para enfrentar os obstáculos que a vida o apresentou.

Marco Aurélio, foi a pessoa que mais se aproximou da figura do “Rei filósofo” idealizado por Platão em “A República”. Ele possuía as virtudes de um bom homem e a capacidade de governar com sabedoria.

Em seus 19 anos como imperador, deixou um legado para Roma, enquanto esteve vivo, e para a humanidade com sua obra “Meditações”.

Quadro: O anjo da morte indo até a porta de Roma por Jules-Élie Delaunay

Marco Aurélio e a Pandemia

Você já pensou como um líder estoico agiria em uma pandemia?

Em 165 d.C, Marco Aurélio enfrentou a Peste Antonina, que durou por 15 anos, considerada a primeira pandemia de que se tem registro e que estima-se ter matado mais de 5 milhões de pessoas, inclusive o próprio imperador, ao que tudo indica.

No auge, a doença chegava a matar mais de 2 mil pessoas por dia com uma taxa de mortalidade estimada em 10%. Os principais sintomas eram febre, erupções cutâneas e diarreia.

Se hoje é difícil conter uma pandemia, imagine em uma época em que a medicina, tecnologia e a ciência eram muito primitivas.

Além disso, Marco Aurélio enfrentava guerras com os Partas (161-166) e as tribos germânicas (166-180). Se isso não bastasse, a pandemia colocou o império em uma grave crise econômica.

Ações de Marco Aurélio na Pandemia

Com base nos princípios estoicos, Marco Aurélio não recuou e fez tudo o que estava sob seu controle para superar a pandemia. Algumas de suas ações:

  • Trouxe especialistas para estudar o que poderia ser feito, incluindo Cláudio Galeno, considerado o mais talentoso médico investigativo do período romano, que liderou os esforços para o combate à praga.
  • Recusou-se a deixar Roma, mesmo quando muitos se refugiaram em áreas rurais e casas de campo, colocando sua própria vida em risco. Mostrou-se presente e forte para os outros, indo a funerais e dando discursos. Buscou tranquilizar a população em um momento de caos.
  • Marco vendeu bens imperiais, não apenas móveis imperiais luxuosos, mas também taças de ouro, jarros de prata, cristais, lustres e também joias e mantos de sua esposa (Faustina). Diminuindo a sua fortuna pessoal.
  • Confiscou parte dos bens da nobreza e cortou gastos imperiais, que passaram a ser auditados e demandantes de aprovação prévia.
  • As dívidas antigas ao governo foram canceladas.
  • Os funerais das vítimas da peste foram pagos pelo governo;
  • Lembrava-se que o que estava passando já havia acontecido antes e que iria acontecer novamente com outros protagonistas no futuro: “Não pares de refletir em como tudo o que acontece agora aconteceu do mesmo modo no passado; reflete que assim acontecerá no futuro”. Meditações, X.27
  • Tinha empatia pelas pessoas, como deixa claro o seu choro sincero em público depois que ouviu alguém dizer: “Bem-aventurados os que morreram na peste.”
  • A todo momento agia para promover o bem e queria que as pessoas fossem boas umas com as outras: “Enquanto estiver vivo e capaz, seja bom”. Meditações, IV.17. “Afinal, quem poderá impedi-lo de ser sincero e benévolo? Não admita viver se não for”. Meditações, X.32.
  • Aceitou e enfrentou as situações que lhe apareciam, prática estóica Amor Fati, sem culpar os deuses ou outras pessoas. “Se julgarmos apenas o que está em nosso poder como bom ou mau, não nos restarão justificativas para criticar deus ou hostilizar o homem” Meditações, VI.41
  • Próximo de sua morte, doente, ao que tudo indica pela própria peste, deixou as pessoas de confiança o seu plano de sucessão ao trono para garantir uma transição pacífica de poder.
  • Em seu leito de morte disse a seus amigos: “Não chorem por mim; pensem antes na peste e na morte de tantos outros”. Demonstrando clareza sobre sua própria mortalidade, prática estóica Memento Mori, e humildade em entender que era apenas um ser humano como qualquer outro.

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