Estoicismo Prático

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Aprenda e pratique a filosofia Estoica em conjunto com pessoas que compartilham seus valores.

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O passado e o presente do Estoicismo Prático

Enquanto eu estudava, notei que não havia quase ninguém produzindo conteúdo sobre no Instagram. Como eu já iria mergulhar no Estoicismo de qualquer jeito, decidi compartilhar meus aprendizados durante a jornada.

Eu segui a recomendação do trecho 4 da Carta 6 do Sêneca, onde ele escreve:

"Se a sabedoria me fosse oferecida sob a condição que eu deveria mantê-la fechada e não divulgá-la a ninguém, eu devo rejeitá-la. Não há aproveitamento na posse de nada valioso a menos que você tenha alguém para compartilhar."

— Sêneca, Carta 6.4

E assim surgiu o Estoicismo Prático. A ideia inicial era bastante despretensiosa. Eu não sabia onde aquele projeto poderia estar em alguns meses.

Ao longo do tempo a audiência foi crescendo organicamente, mas ficou claro que posts no Instagram não eram o suficiente. Por isso, comecei a escrever para o blog, postar no Telegram e no Twitter. Desde então, penso diariamente em formas de melhorar o conteúdo e criar uma comunidade ao redor do Estoicismo Prático.

É importante deixar claro que meu objetivo não é e nunca foi me tornar um professor, guru, ou uma espécie de coach Estoico. Eu produzo os conteúdos do Estoicismo Prático porque são relevantes para mim em primeiro lugar. Não vejo sentido em produzir conteúdo sobre algo que não estou vivendo. Valorizo ter "skin in the game."

Meu objetivo desde o início foi compartilhar meus aprendizados sobre a filosofia Estoica. E nada mudou desde então. Continuo sendo um aluno e continuo aprendendo, assim como você.

Mas, mesmo sendo apenas mais um aluno, ao longo do tempo percebi que haviam outras formas como eu poderia ajudar pessoas que acompanham o Estoicismo Prático.

Frequentemente eu recebo mensagens de pessoas pedindo ajuda para interpretar determinadas passagens de Meditações, por exemplo. Por isso, ficou evidente que na maior parte dos casos a dificuldade de interpretação existe por problemas na tradução, e não porque o que Marco Aurélio escreveu é difícil de entender. Portanto, decidi produzir uma nova tradução de Meditações. Esse é um exemplo de uma forma que encontrei de facilitar a jornada Estoica de outras pessoas.

Ao longo do tempo percebi também que o Estoicismo era especialmente aplicável na maternidade e paternidade. Afinal, ter um filho acrescenta uma série de camadas de complexidade na vida. Por isso, me juntei ao Adriano para criar o Curso Mães & Pais Estoicos. Essa é outra forma que encontrei de ajudar pessoas a mergulharem mais profundamente no Estoicismo.

Desde a publicação do primeiro post do Estoicismo Prático, também ficou evidente que alguns obstáculos que dificultam o aprendizado e a prática da filosofia Estoica.

Por exemplo, várias vezes eu indicava leituras, mas as pessoas sequer encontravam os livros para comprar. Quando encontravam, as traduções eram desnecessariamente difíceis e por isso as pessoas desistiam de ler. Quando liam, não compreendiam completamente e não transformavam os aprendizados em mudanças em suas vidas.

Por ter observado esse padrão se repetir, comecei a pensar em quais são obstáculos que impedem pessoas de mergulharem no Estoicismo.

Identifiquei 3 obstáculos principais. Agora vou te explicar quais são eles, e depois as possíveis soluções.

3 obstáculos que dificultam o aprendizado e a prática do Estoicismo

1. Falta de contextualização dos ensinamentos

Meditações era o diário do Marco Aurélio. Ele não esperava que outras pessoas fossem ler seu diário séculos depois. Por ter sido apenas seu diário, ele não contextualiza seus ensinamentos. Por isso, a única pessoa que de fato compreende Meditações por completo é o próprio Marco Aurélio.

A falta de contextualização é ótima, porque torna a leitura mais atemporal e impactante. Mas, ao mesmo tempo, torna os leitores responsáveis por contextualizar as frases e conceitos.

Um exemplo de frase que exige contextualização está no trecho 6 do livro VI de Meditações:

"O melhor modo de se vingar de um inimigo é não se assemelhar a ele."

— Marco Aurélio, Meditações VI.6

Se você lê essa frase sem o contexto do Estoicismo, você pode interpretá-la errado. Talvez você a use para justificar um sentimento vingativo como: "A ação de alguém me impactou negativamente, então não vou repetir a ação para mostrar que sou superior a esse alguém."

Mas não é isso o que Marco Aurélio quer dizer. Na minha visão, o ponto do Marco Aurélio está mais próximo de: "Caso se vingar fosse uma ação positiva, ainda assim a melhor vingança seria não se assemelhar ao inimigo."

Então, no meu entendimento, ele não está querendo dizer que "não agir como seu inimigo" é uma forma válida de se vingar. Pelo contrário. A implicação do que ele está dizendo é que nenhuma forma de vingança é racional. Afinal, mesmo que um ato vingativo fosse racional, a melhor vingança seria não se vingar.

Além disso, Marco Aurélio também não está propondo uma divisão entre nós e eles, amigos e inimigos. Essa separação não faz sentido dentro da perspectiva social do Estoicismo.

Portanto, esse é um exemplo de passagem que nós, leitores, precisamos contextualizar. Quando contextualizamos, conseguimos entender melhor o ensinamento e relacioná-lo com outros conceitos Estoicos.

Outro exemplo é a frase que está no trecho 61 do livro VII de Meditações:

"A arte de viver é mais semelhante à luta do que à dança."

Geralmente, quanto menor é o número de palavras, maior é o número de possíveis interpretações. E essa frase é um exemplo disso.

É possível utilizar essa frase do Marco Aurélio para justificar uma crença de que a vida é somente sofrimento, por exemplo. A partir dela, é possível interpretar também que devemos nos abster de emoções positivas e hábitos divertidos como dançar. Enfim, as possibilidades de interpretações são inúmeras.

Mas, na verdade, tudo o que Marco Aurélio está dizendo nessa frase é que devemos nos preparar para o imprevisto. A analogia é que as pessoas dançam como se nada de ruim pudesse acontecer, mas lutam se preparando para o pior. Então, para Marco Aurélio, devemos viver preparados para adversidades assim como um lutador se prepara para golpes imprevistos.

Além de frases como essas duas, alguns conceitos recorrentes nos livros também exigem contextualização.

O conceito de virtude, por exemplo, era muito mais presente na cultura grega e romana do que é hoje, na cultura contemporânea. Hoje em dia as pessoas não entendem facilmente o que significa virtude, assim como entendiam no passado.

Outro exemplo é a visão cosmológica do Estoicismo. Marco Aurélio fala de Deus e do Cosmos com frequência. Mas o que é Deus e o Cosmos para os Estoicos?

Dado que o Cristianismo dominou o ocidente, nos dias de hoje não é fácil entender o Deus Estoico como a racionalidade por trás de tudo. Mas na época quando o Marco Aurélio viveu haviam religiões pagãs, politeístas e animistas. Por isso, era mais fácil compreender esse Deus Estoico não-personificado.

Eu trouxe esses exemplos para mostrar que, uma vez que contextualizamos conceitos e frases, fica mais fácil absorver e colocar em prática os ensinamentos do Estoicismo.

Usei exemplos do Marco Aurélio, mas o mesmo se aplica para o Sêneca. Ele também não faz uma explicação didática e expositiva sobre conceito Estoicos, o que é ótimo. Caso ele explicasse os conceitos de forma didática, suas cartas e ensaios perderiam o impacto. A falta de explicações e contextualizações cria a sensação de que Sêneca está conversando conosco.

Sêneca escreveu um ensaio onde aconselha sua mãe Hélvia a não sofrer pelo fato de ele ter sido exilado de Roma, por exemplo. Apesar de ter sido escrito para sua mãe Hélvia, esse ensaio parece ser direcionado a nós. Sêneca escreve como um amigo que nos ajuda a parar de sofrer desnecessariamente quando lidamos com alguma adversidade.

Em certo momento Sêneca estava doente e escreveu uma carta para o Lucílio sobre como preparar a mente para lidar com doenças. O caráter de diálogo da Carta nos faz parar de reclamar e de usar doenças como justificativas para comportamentos viciosos.

Quando Márcia perde seus filhos, Sêneca traz uma perspectiva Estoica sobre o luto. E, de novo, a falta de explicações e contextualizações torna o Ensaio mais apto a nos ajudar quando perdemos alguém querido.

Ou seja, as Cartas e Ensaios do Sêneca seguem o padrão de Meditações do Marco Aurélio. A falta de contextualização aumenta o impacto da leitura. Mas, ao mesmo tempo, passa a nós a responsabilidade de extrair os aprendizados.

Por isso, parte da nossa função como estudantes do Estoicismo é contextualizar as lições, adaptá-las para diferentes contextos, e relacioná-las umas com as outras.

No trecho 8 da carta 64, Sêneca reconhece essa necessidade:

“Mesmo que os velhos mestres tenham descoberto tudo, uma coisa será sempre nova: a aplicação, o estudo científico e a classificação das descobertas feitas por outros.

Suponha que prescrições foram transmitidas para nós para a cura dos olhos. Não há necessidade de minha busca por outras curas além dessa. Ainda assim, o médico deve fazer adaptar prescrição à doença e ao estágio particular da doença.

Use esta prescrição para aliviar a granulação das pálpebras, esta para reduzir o inchaço das pálpebras, aquela para evitar dor súbita ou uma onda de lágrimas, esta outra para aguçar a visão.

Em seguida, combine estas várias prescrições, preste atenção no momento certo de sua aplicação, e forneça o tratamento adequado em cada caso.

As curas para o espírito já foram descobertas pelos antigos. Mas é nossa tarefa descobrir o método e o tempo de tratamento.”

Nem sempre é fácil contextualizar os ensinamentos para nossas vidas. Cada situação que vivemos envolve diversas variáveis.

Na física é fácil prever o movimento de um objeto quando desconsideramos a gravidade, o atrito, o tamanho, o peso, e a forma desse objeto. Também é fácil dizer como um Estoico deveria agir em determinada situação quando removemos todas as variáveis acrescentam complexidade a ela.

Mas essas variáveis, particularidades e complexidades são partes da vida. Conseguimos removê-las na nossa imaginação, mas não na realidade.

As particularidades do nosso contexto fazem com que nem sempre esteja claro o que está e o que não está sob nosso controle. Fazem com que nem sempre seja óbvio quando nossas ações são guiadas pelo medo ou outras emoções negativas, por exemplo. Se fosse óbvio, não existiriam fenômenos como a dissonância cognitiva.

Nassim Taleb comenta sobre esse padrão no capítulo 1 do livro Antifrágil, no subcapítulo A Independência do Domínio é Dependente do Domínio:

"Algumas pessoas podem compreender uma ideia em um domínio, como a medicina, e não reconhecê-la em outro, como a vida socioeconômica. Ou eles a aprendem na sala de aula, mas não na estrutura mais complicada do mundo real. Os seres humanos, de alguma forma, não conseguem reconhecer as situações fora dos contextos em que costumam aprender sobre elas."

Quando lemos uma carta de quando o Sêneca estava doente, dizemos a nós mesmos que na próxima vez quando estivermos doentes iremos agir da forma como ele agiu. Mas quando nos descobrimos com alguma condição crônica, não conectamos que essa é similar à situação que Sêneca estava vivenciando. Justificamos que nosso contexto é especial por esse ou aquele motivo. Por isso, abraçamos narrativas irracionais confortáveis, e acreditamos que o destino é injusto.

Quando entendemos como o Marco Aurélio lidou com a Peste Antonina, nós o admiramos. Mas quando vemos um tweet com mais uma notícia negativa sobre o coronavírus, perdemos o controle. Justificamos nossos comportamentos viciosos com base na crença irracional de que a pandemia de covid-19 é diferente da Peste Antonina, por isso não podemos aplicar os ensinamentos de Marco Aurélio hoje.

Em resumo, nem sempre é claro como agir como um Estoico nas situações que vivemos, considerando todas as particularidades dela. Por isso, a dificuldade de contextualizar os ensinamentos para nossas situações é o 1º obstáculo que impede pessoas a mergulharem mais a fundo no Estoicismo.

2. Dificuldade de traduzir os conceitos para a prática

Aprender sobre Estoicismo significa colocar os aprendizados em prática. Esse é um consenso entre pensadores Estoicos e filósofos clássicos.

Nos trecho 29.35 do Livro I dos Discursos, Epicteto diz:

"Se você não aprendeu essas coisas para demonstrá-las na prática, porque você as aprendeu?"

No trecho 9.13 do Livro II dos Discursos, Epicteto diz:

“É por isso que os filósofos nos alertam para não ficarmos satisfeitos com o mero aprendizado, mas para acrescentar prática e depois treinamento. Pois com o passar do tempo esquecemos o que aprendemos, fazemos o contrário, e mantemos opiniões opostas às que deveríamos ter.”

Em A Arte de Viver, Epicteto diz:

“Não explique sua filosofia. Incorpore-a.”

No trecho 45 da Carta 94, Sêneca escreve:

"A virtude depende em parte do treinamento e em parte da prática. Você deve aprender primeiro e depois fortalecer seu aprendizado por ações."

No trecho 16 do livro X de Meditações, Marco Aurélio escreve:

"Não perca mais tempo discutindo sobre o que um bom homem deve ser. Seja um."

Enfim. Se você procurar mais frases similares, provavelmente você vai encontrar.

Sei que não estou trazendo nenhuma novidade. Se você está assistindo a essa aula, você sabe a importância de praticar o que aprende. Inclusive, é provável que você queira aprender sobre Estoicismo exatamente por ser uma filosofia prática.

Mas entender a importância de colocar os ensinamentos em prática não significa que você saiba como transformar determinados conceitos teóricos em ação.

A prática nem sempre será óbvia, e está tudo bem. Em alguns casos, serão necessários meses para que você de fato passe a agir de acordo com um princípio que aprendeu.

No trecho 31 da carta 71, Sêneca diz:

“Alguns corantes são facilmente absorvidos pela lã, e outros somente após repetidos dias de imersão e fervura. Da mesma forma, alguns estudos são absorvidos pelas nossas mentes assim que os aprendemos e outros não.

De qualquer forma, nossas mentes devem os absorver dando não apenas um tom de cor, mas uma tintura profunda real. Do contrário, os estudos podem não cumprir nenhuma de suas promessas."

Ou seja, não podemos nos contentar com a teoria. Sem a prática, corremos o risco a agir de forma contrária ao que aprendemos, como disse Epiteto. Por isso, a falta de clareza de como colocar os ensinamentos em prática é o 2º obstáculo que atrapalha a jornada Estoica.

3. Falta de pessoas com quem compartilhar aprendizados

Uma das melhores formas de aprender sobre Estoicismo é por meio do convívio com pessoas que também estão aprendendo sobre. Assim, você pode perguntar, responder e compartilhar seus aprendizados, o que ajuda tanto você quanto a outra pessoa a digerir os ensinamentos.

Sêneca escreve isso no trecho 6 da Carta 6:

“Cleantes não se tornou um seguidor de Zenão apenas ouvindo suas palestras. Cleantes precisou conviver com Zenão, observá-lo no dia a dia e notar que ele de fato vivia de acordo com suas próprias regras.

Platão tirou mais proveito do caráter do que das palavras de Sócrates.

O que tornou Metrodoro, Hermarco e Polieno grandes homens não foi a sala de aula de Epicuro, mas sim o fato de viverem juntos sob o mesmo teto.”

Sêneca escreveu suas cartas e ensaios para pessoas próximas. Epicteto aprendeu com Musônio Rufo, e depois ensinou para diversas pessoas, como Júnio Rústico. Júnio Rústico foi um dos vários mentores que Marco Aurélio teve quando jovem.

Esse é um padrão que se repete. O aprendizado em Comunidade era a principal forma como eles se desenvolveram como Estoicos.

Mas provavelmente você conhece poucas pessoas com quem pode compartilhar seus aprendizados. Não existe uma Comunidade que sirva como um Pórtico contemporâneo, onde Estoicos em formação possam se reunir para aprender em conjunto.

Apesar de não existir essa Comunidade, existem estudantes do Estoicismo espalhados por aí. Afinal, mais de 52 mil pessoas seguirem o Estoicismo Prático no Instagram, alguns milhares no Blog e Email, 2 mil no Telegram e outras mil no Twitter. O problema é que eles não estão reunidos em lugar nenhum.

Por isso, a falta de pessoas com quem tirar dúvidas e compartilhar os aprendizados é o 3º motivo que dificulta o aprendizado do Estoicismo.

Conheça a Comunidade Estoicismo Prático

Um dos meus objetivos com o Estoicismo Prático é ajudar pessoas a mergulharem na filosofia Estoica. Por isso, passei meses pensando em soluções para remover esses obstáculos e criar um ambiente que possa ajudar pessoas a:

  1. contextualizar os ensinamentos,
  2. colocá-los em prática,
  3. e tirar dúvidas e compartilhar os aprendizados.

Dado que também sou só mais um aluno, adoraria participar de um ambiente como esse. Mas como esse ambiente não existe, decidi eu mesmo criá-lo. Esse ambiente que reúne soluções para esses obstáculos é a Comunidade Estoicismo Prático.

Vagas encerradas.

Para saber mais detalhes e conhecer a Comunidade Estoicismo Prático, deixe seu email na lista de espera.
Não se preocupe. Não vou encher sua caixa de entrada com emails promocionais. 😉